A intensidade dos exercícios físicos na recuperação e prevenção da COVID-19

 Por: Gabriel de Rezende | Professor de Educação Física SESI-SP | CREF 122217-G/SP
03/08/202116:12- atualizado às 08:34 em 04/08/2021

 

A atividade física moderada tem efeitos positivos na recuperação pós COVID-19 em contrapartida atividades vigorosas podem se tornar imunossupressoras, ou seja, reduzir a imunidade deixando a pessoas mais suscetíveis doenças oportunas, sendo o exercício físico uma alternativa viável e acessível. 

Pessoas sedentárias e com comorbidades têm maior probabilidade de desenvolver formas mais graves da doença e a prescrição correta com a intensidade moderada pode apresentar alta eficiência neste processo recuperatório e até mesmo se tornar um preventivo da doença em questão.  

Diversas modalidades esportivas podem ser inclusas no processo de recuperação da doença sendo a corrida e caminhada excelentes, quando realizados de forma moderada, é importante entender que a classificação da intensidade dos exercícios depende da aptidão e histórico do indivíduo em questão. Correr a 10 km/h por 30 minutos pode ser extremamente intenso para uma pessoa que a pouco tempo iniciou um programa de treinamento, como pode ser uma atividade moderada para indivíduos que já praticam a modalidade a algum tempo. 

Diversos estudos publicados durante a pandemia demostraram conclusões semelhantes quanto a pratica dos exercícios físicos frente a doença. 

 

Rahma 2020, conclui que: 

Com base em evidências indiretas, o exercício físico de alta intensidade pode ser prejudicial (especialmente em pessoas obesas) e agravar o vírus COVID-19. No entanto, o exercício de intensidade moderada deve ser recomendado como uma maneira não farmacológica, barata e viável de lidar com o vírus COVID-19.  

 

Frühaufetal. 2020: 

Os autores recomendam formas moderadas de exercício, como esportes de resistência com intensidade baixa a moderada (corrida, caminhada, trilhas e estradas florestais com terreno plano e acessível). Atividades de fortalecimento muscular e outros tipos de atividade física que podem ser feitos em casa ou ao ar livre, a uma distância segura dos outros. 

 

Oliveira Neto et al. 2020 

Levando em consideração os aspectos fisiológicos, um modelo de prescrição que incentiva a realização de, pelo menos, 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada e considera a possibilidade de realizar exercícios de força para os principais grupos musculares. Deve-se considerar os aspectos comportamentais, motivacionais paralelamente às variáveis fisiológicas como um dos grandes desafios, dada a necessidade de realizar treinamentos com pouca supervisão ou não presencial, o que pode aumentar as dificuldades comportamentais (por exemplo, hábito) para praticar exercícios físicos. 

 

O impacto da COVID-19 em relação à inatividade física, os resultados apresentam um impacto negativo na saúde física e mental durante e após a pandemia, com efeito maior nas populações de risco, principalmente os idosos. 

A recomendação sobre a pratica de exercícios de forma regular durante a pandemia deixa evidente que movimentar-se diariamente de forma estruturada, através da realização de exercícios físicos, pode otimizar as funções do sistema imunológico e prevenir ou atenuar a gravidade da infecção, especialmente para as populações mais vulneráveis. Neste sentido, as recomendações são principalmente quanto a intensidade, que deve ser moderada durante o período de isolamento social. Sugere-se a realização de exercícios aeróbicos, com exercícios de fortalecimento muscular, sendo contraindicados programas de exercícios prolongados ou treinamento de alta intensidade sem recuperação adequada para evitar a imunodepressão e maior suscetibilidade às infeções. As atividades físicas ao ar livre são recomendadas desde que sejam tomadas as devidas precauções adicionais de distanciamento social. 

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